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6 de Abril de 2020

No que o crescimento do futebol feminino pode nos ajudar na luta pela igualdade de salários

Alyne Cunha, Advogado
Publicado por Alyne Cunha
há 9 meses

A diferença salarial entre homens e mulheres no mercado de trabalho atual ainda é alta, mas essa diferença pode ser ainda mais elevada quando os profissionais são atletas. Neste ano, foi realizada na França a Copa do Mundo de Futebol Feminino, tendo o time brasileiro alcançado as oitavas de final do campeonato, que terminou com a vitória das donas da casa em um jogo repleto de emoções.

Após o jogo, Marta, a atacante da seleção brasileira, e uma das jogadoras mais aclamadas no mundo futebolístico, vencedora seis vezes como a melhor jogadora do mundo fez um apelo aos telespectadores brasileiros: “A gente pede tanto, pede apoio, mas a gente também precisa valorizar. A gente está sorrindo aqui e acho que é esse o primordial, ter que chorar no começo para sorrir no fim. Quando digo isso é querer mais, treinar mais, estar pronta para jogar 90 e mais 30 minutos e mais quantos minutos forem necessários. É isso que peço para as meninas. Não vai ter uma Formiga para sempre, uma Marta, uma Cristiane. O futebol feminino depende de vocês para sobreviver. Pensem nisso, valorizem mais. Chorem no começo para sorrir no fim.” Além de Marta, outras jogadoras também chamaram a atenção para que o futebol feminino seja mais valorizado, pois para muitos o futebol ainda é um território masculino.

Reprodução/Instagram

Além da falta de patrocínio, os salários são bem mais baixos para as mulheres, como disse Marta; “as jogadoras profissionais recebem salários equiparados às categorias de base masculinas”. Com isso, podemos perceber que salários tão desiguais contrariam o que é disposto no artigo 5º, inciso I da Constituição Federal/88, de que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição”. E assim, desperta uma sensação que mesmo com a fama e o respeito que as nossas jogadoras profissionais têm no exterior, aqui elas não são valorizadas.

A desigualdade de salários entre homens e mulheres e a discriminação, independe da profissão que desempenham, é fato, e não adianta fecharmos os olhos, ou considerar isso algo superado, pois é injusto que profissionais sejam vistos pelo gênero biológico e não pelo trabalho que desempenham. E no caso dos atletas, que a performance física, em razão do gênero seja limitante para alcançarem respeito e salários dignos. Ou pior, que existam profissões inteiramente masculinas ou femininas.

Como profissionais do Direito é necessário que fiquemos atentos a essa questão, pois a discriminação pelo gênero está enraizada em nossa sociedade, e muitas vezes o que parece normal; mulheres ganhando menos para desempenhar as mesmas funções de um homem, as mulheres demorarem mais para serem promovidas dentro de uma empresa, ou nunca alcançarem os cargos mais altos, etc. viola a Constituição Federal/88.

Casos, como os citados acima, são corriqueiros na maioria das empresas, dessa forma com o aumento da conscientização das funcionárias, também está ocorrendo o aparecimento de mais demandas envolvendo a discriminação em decorrência do gênero no ambiente de trabalho.

Parabéns guerreiras!

Referência bibliográfica:

https://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo-feminina/noticia/a-lesaoachuteiraorecordeeo-apeloacopa-de-marta-uma-rainha-corada-mesmo-semotitulo.ghtml

https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10731047/incisoido-artigo-5-da-constituição-federal-de-1988

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